
Aterre em Lisboa com uma lista de sítios a visitar e o pressentimento de que a cidade vai além dos elétricos e azulejos? Tem toda a razão. Entre os miradouros que se revelam como cenários, o som dos elétricos a contornar as ruas estreitas e as fachadas vestidas de azulejos que contam séculos de história, esta é uma cidade feita de momentos, mais do que de roteiros. Se anda à procura do que fazer em Lisboa, encare isto como um convite para ir em busca da luz do fim de tarde nos miradouros, seguir o brilho do rio e deixar que a curiosidade escolha o seu caminho.
Este artigo é para os viajantes que procuram experiências genuinamente lisboetas: o sentir da calçada sob os pés nas ruelas íngremes, o silêncio perante a vista de um miradouro, os pequenos rituais (o sino de um elétrico, um café na esplanada) que ficam na memória muito depois do regresso a casa. Continue a ler e deixe que a cidade se revele, a pouco e pouco, em cada recanto soalheiro.

Comece no Castelo de São Jorge, no topo da colina, para apreciar a vista desafogada a partir das muralhas. Depois, desça sem pressa pelas ruelas estreitas de Alfama, de traçado mouro, que sobreviveram em grande parte ao terramoto de 1755 — vai encontrar roupa estendida nas janelas, fachadas de azulejo e largos que se abrem em direção ao rio. Se vier da Baixa, evite a maior parte da subida utilizando o percurso gratuito do Elevador do Castelo (Fanqueiros → Madalena → Chão do Loureiro) e caminhe uns minutos até à entrada.
Dica: Comece no topo e desça a pé; compre os bilhetes para o castelo online para não perder tempo. O site oficial vende bilhetes eletrónicos que pode validar diretamente na entrada e também informa sobre os horários de cada época do ano.

O clássico elétrico amarelo da carreira 28 passa pela Sé e atravessa Alfama e a Baixa em direção ao Chiado. Contudo, de momento, a circulação está limitada ao troço entre o Martim Moniz e o Largo Camões, pelo que, para já, não segue viagem até à Estrela ou a Campo de Ourique (Prazeres). Devido a obras, é possível que alguns troços da linha sejam assegurados por autocarros em vez dos elétricos Remodelado. As alterações podem surgir sem grande aviso, pelo que se recomenda a consulta do site ou da aplicação da Carris no próprio dia. Tenha cuidado com os seus pertences, pois é uma carreira muito procurada.
Dica: Para ter mais hipóteses de conseguir um lugar sentado, apanhe o elétrico logo de manhã ou ao fim da tarde num dos terminais da carreira (Martim Moniz ou Largo Camões).

Em Belém, a época dos Descobrimentos está bem presente em dois monumentos classificados como Património Mundial da UNESCO: os claustros do Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, na margem do Tejo, tornando-se uma das coisas imperdíveis de se fazer em Lisboa. Atenção: a Torre de Belém encontra-se encerrada para obras de conservação e restauro no âmbito do PRR, com possíveis aberturas pontuais. Aconselha-se a verificar se está aberta antes da visita. O Mosteiro dos Jerónimos está aberto de terça a domingo e encerra à segunda-feira (a hora da última entrada varia consoante a época do ano). Termine o passeio com os pastéis de nata originais, feitos em Belém desde 1837, que se comem quentinhos e polvilhados com canela.
Dica: Visite o mosteiro logo de manhã, depois passeie pela zona ribeirinha junto à torre (atualmente encerrada) e termine com um pastel de nata acabado de fazer nos Pastéis de Belém.

Misto de museu e escultura, o edifício baixo do MAAT, em Belém, foi pensado para se poder passear pelo seu telhado ondulado e apreciar as vistas sobre o Tejo. No interior, as exposições temporárias combinam arte, design e tecnologia, o que o torna um dos locais a não perder em Lisboa. A visita combina bem com um passeio pela frente ribeirinha de Belém e fica junto à antiga Central Tejo. O horário habitual é das 10h00 às 19h00, encerrando à terça-feira.
Dica: Inclua o MAAT no seu dia em Belém: primeiro o terraço para as vistas, depois as exposições. Tenha em atenção que o museu encerra à terça-feira.

Junto a Alfama, este mosteiro do século XVII alia claustros tranquilos, revestidos a azulejo, ao Panteão Real da dinastia de Bragança e ainda dá acesso a terraços com vistas amplas sobre o bairro e o Tejo. É um ponto de passagem ideal num passeio pela zona histórica e, às terças e sábados, pode aproveitar para visitar a vizinha Feira da Ladra. Consulte os horários (geralmente abre todos os dias, com variações sazonais) e verifique se há algum encerramento extraordinário.
Dica: Vá de manhã: os claustros estão mais calmos, as vistas do terraço são mais desafogadas e depois pode seguir a pé diretamente para a Feira da Ladra. Confirme os horários e a hora da última entrada antes de ir.

Um animado espaço de restauração, organizado em torno de grandes mesas partilhadas, instalado no histórico Mercado da Ribeira, junto ao Cais do Sodré. Aqui encontram-se vários restaurantes de autor, além de espaços dedicados a vinhos, doces e uma cozinha para eventos. O edifício, cuja origem como mercado de frescos e peixe remonta ao século XIX, mantém a sua ala tradicional em funcionamento mesmo ao lado. Assim, pode aproveitar para ver a fruta da época, as flores e o peixe fresco antes ou depois da sua refeição. O espaço está aberto todos os dias, desde o meio da manhã até à noite.
Dica: Para arranjar lugar mais facilmente, tente ir antes do meio-dia nos dias de semana e, depois, aproveite para espreitar a ala do mercado tradicional que fica ao lado.

Outra coisa para fazer em Lisboa é visitar a moderna zona ribeirinha da Expo '98, onde fica um dos melhores aquários da Europa, uma paragem obrigatória para quem visita Lisboa. Conte com um enorme tanque central onde nadam tubarões, raias e cardumes, além de recriações de vários habitats marinhos que encantam miúdos e graúdos. No exterior, o Parque das Nações tem passeios à beira-rio, arte pública e vistas desafogadas para a Ponte Vasco da Gama; a Telecabine desliza sobre o passeio ribeirinho e até oferece um bilhete conjunto com o Oceanário. O Oceanário costuma estar aberto das 10:00 às 20:00 (última entrada às 19:00).
Mesmo ali ao lado, a Torre Vasco da Gama, com o seu formato de vela, alberga o bar e miradouro BABYLON 360º. Suba de elevador para ter vistas de 360° sobre o Tejo, a ponte e a zona do aquário, e depois fique para beber um cocktail enquanto as luzes do Parque das Nações se acendem.
Dica: Compre os bilhetes com antecedência e hora marcada e combine a visita com uma viagem na Telecabine. Se ficar até ao fim da tarde, uma boa opção é ir beber um copo ao pôr do sol no BABYLON 360º, no topo da Torre Vasco da Gama.

Percorra os terraços ajardinados no topo das colinas de Lisboa — os miradouros —, onde bancos, quiosques e muretes oferecem vistas amplas do castelo ao rio. Comece no Miradouro de São Pedro de Alcântara, uma varanda sobre a Baixa (onde se chega em minutos com o funicular da Glória), e siga depois para o Miradouro da Senhora do Monte, um local mais sossegado perto do ponto mais alto da cidade, com uma vista de mais de 200º. Se o funicular estiver parado, a subida faz-se a pé ou de táxi. Pode ainda passar pelo Miradouro da Graça, junto à igreja, ou pelo de Santa Luzia, um terraço com buganvílias e painéis de azulejos.
Dica: Visite ao final da tarde. O de Alcântara para uma primeira impressão, e o da Senhora do Monte para ver o pôr do sol com mais calma.

Comece por apurar o ouvido com uma visita durante o dia ao Museu do Fado, um espaço pequeno e cativante dedicado ao fado e à sua história. Depois, reserve mesa numa pequena casa de fados em Alfama ou na Mouraria para uma noite mais intimista. As vozes cheias de emoção, ao som da guitarra portuguesa, ouvem-se num silêncio quase absoluto. O habitual é haver jantar e espetáculo com hora marcada, por isso é fundamental reservar com antecedência.
Dica: Visite o museu durante o dia (geralmente de terça a domingo) e deixe os planos para o jantar em aberto, para poder assistir a uma sessão mais tardia.

Visto do Tejo, o perfil de Lisboa — Praça do Comércio, Ponte 25 de Abril, Cristo Rei e os monumentos de Belém — ganha um brilho especial ao cair da tarde. A maioria dos passeios de barco ao pôr do sol dura entre 1,5 e 2 horas e inclui uma bebida de boas-vindas. Os pontos de partida mais comuns são as docas junto ao Cais do Sodré ou ao Terreiro do Paço. Verifique os horários e a meteorologia antes de embarcar.
Dica: Para aproveitar a melhor luz e ver as luzes da cidade a acenderem-se, reserve um passeio para o final da tarde que termine já depois do pôr do sol.

A menos de uma hora de comboio da Estação do Rossio, a serra de Sintra revela um cenário idílico: o colorido Palácio da Pena, erguido sobre um parque verdejante, e as ruínas do Castelo dos Mouros na encosta em frente. A visita ao interior do Palácio da Pena é feita com hora marcada. A hora indicada no bilhete é para a entrada do palácio, pelo que ainda terá de fazer o percurso desde a entrada do parque (convém prever tempo extra, pois as indicações oficiais alertam para uma caminhada adicional dentro do parque). Os comboios da linha suburbana são frequentes. Pode comprar os bilhetes no próprio dia e, para subir a serra, seguir as indicações locais, seja a pé ou de autocarro.
Dica: Marque a visita para o primeiro horário disponível e conte com cerca de 30 a 60 minutos para chegar ao palácio desde a entrada do parque. Combine com uma visita ao Castelo dos Mouros para aproveitar as vistas amplas, antes de regressar a Lisboa de comboio.
Em Lisboa, a oferta de alojamento é muito variada: desde grandes hotéis de luxo e alojamentos em edifícios históricos, a hotéis boutique de design, apartamentos turísticos e aparthotéis, pensões acolhedoras e hostels de qualidade. Todos são boas bases para planear o que fazer na cidade. Muitos destes espaços ficam em edifícios pombalinos recuperados e alguns até em antigos mosteiros ou palácios. Também encontrará alojamentos que combinam a arquitetura clássica com comodidades modernas, como terraços, pequenas piscinas e restaurantes.


Lisboa fica na memória: o brilho dos azulejos ao entardecer, a calma de um miradouro, o último tilintar do elétrico no regresso ao hotel. Se este artigo lhe deu ideias sobre o que fazer em Lisboa, deixe que a viagem ganhe forma em torno das experiências que mais anseia viver.
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